Joaquim
José da Silva Xavier nasceu em 1746 na Fazenda Pombal nas proximidades de
São José Del' Rey (hoje Tiradentes). Foi criado por seu padrinho que era cirurgião
e do qual aprendeu a profissão de dentista que lhe valeria o seu famoso apelido:
Tiradentes. Ainda jovem também foi tropeiro e mascate, além de mostrar conhecimentos
em engenharia e mineralogia. Com mais de 30 anos alistou-se no Regimento dos
Dragões das Minas Gerais, sediado na antigo Quartel da Cavalaria (hoje Colégio
Dom Bosco) em Cachoeira do Campo. Ali teve contanto com os primeiros ideais
libertários inspirados principalmente pela revolução norte-americana. Por
volta de 1787 conheceu José Alvares Maciel, jovem cientista brasileiro recém
chegado da Europa. Juntamente com ele, Tiradentes começou a arquitetar uma
revolução para libertar sua terra natal do julgo Português. Em breve formou-se
um grupo de idealistas conhecido mais tarde como Inconfidentes. Os principais
inconfidentes eram Joaquim José da Silva Xavier, Tomaz Antônio Gonzaga, Cláudio
Manuel da Costa, Inácio José de Alvarenga Peixoto, José Alvares Maciel, entre
outros.
Foi
organizado um movimento que desencadeava uma grande revolução. A Inconfidência
Mineira, porém, foi denunciada por Joaquim Silvério dos Reis ao Visconde de
Barbacena no dia 15 de março de 1789 no Palácio de Veraneio em Cachoeira do
Campo, local onde residia o governador. Todos os inconfidentes foram presos
e julgados, contudo somente Tiradentes sofreu o suplício máximo. Foi enforcado
e esquartejado no dia 21 de abril de 1792. Seus quartos foram espalhados pelos
caminhos de Minas e sua cabeça foi exposta em praça central de Vila Rica (hoje
Ouro Preto). Quando da Proclamação da República, Tiradentes foi elevado a
Herói Nacional.
Silva Jardim, orador do movimento republicano assim o descreve: "Não era belo. Não lhe coubera instrução fora do comum, porém era sagaz, podendo de um olhar aprender o valor e a extensão de uma idéia; era um coração bem formado, generoso, cheio de bondade... Sua ambição tinha os mais nobres fins; seu amor e veneração à pátria foi sem limites. Sua fraqueza selvagem, sua indignação por toda a vileza, seu anseio pela idéia que o possuíra, eram tais que os vulgares apodavam-no louco, e os bem nascidos estimavam-no herói".
Pe.
Afonso de Lemos
João Baptista Costa
Honório Esteves
Dr. Lúcio José dos Santos
Randolfo José de Lemos
Rodrigo José Ferreira Bretas
Afonso
Henrique de Figueiredo Lemos, nasceu em Cachoeira do Campo em dezembro de
1847, filho de Carlos José de Lemos e Teresa Iría de Figueiredo Lemos. Sabe-se
muito pouco de sua infância, apenas que era menino tímido, introspectivo.
Tornou-se sacerdote em 23 de Setembro de 1871 no seminário de Mariana. Foi
por pouco tempo pároco do Rio das Pedras (hoje Acuruí), assumindo posteriormente
a Paróquia de Nossa Senhora de Nazaré, sua terra e à qual dedicou o resto
de sua vida.
Naquele tempo, a enorme paróquia abrangia Santo Antônio do Leite, São Gonçalo do Amarante, Engenheiro Corrêa, São Julião (Miguel Burnier), Usina Wigg, Conceição dos Alemães, Tabuões, entre outras localidades e, por isso, o percurso despendia enorme esforço, sendo todo percorrido a cavalo. Padre Afonso, ou Vigário Afonso, como era chamado, tornou-se famoso sobretudo pela grande obra de educação que empreendeu em Cachoeira do Campo a partir da década de 1870. Nesta época ele começou a organizar com muito esforço um sistema voluntário de ensino público, espécie de escolinhas que funcionavam em várias casas e capelas.
Já em 1881 esta obra de educação estava bem estruturada e sua fama corria regiões chegando aos ouvidos do Imperador Dom Pedro II, que no dia 2 de Abril daquele ano visitou Cachoeira do Campo, ficando impressionado com a aprendizagem das crianças. Era o reconhecimento do imperador à obra do venerando Padre. Intermediou também a vinda dos salesianos em 1895, que culminaria com a fundação do Colégio Dom Bosco. Padre Afonso visitou Roma em companhia do bispo Dom Silvério Gomes Pimenta, onde conheceu pessoalmente o Papa.
Padre Afonso é responsável ainda pela instalação do primeiro sistema de água encanada e pela instalação do primeiro telefone em Cachoeira, além de ter escrito o primeiro livro sobre a nossa história, infelizmente inacabado.
Não é de admirar que a população dedicou grande amor pelo seu Vigário que, mesmo velho, manteve ininterruptas suas atividades. Sua obra tornou-se marco para a história da educação. Padre Afonso e o Mestre "Chico" (intelectual a quem convenceu de participar no ensino das crianças, sua interessante biografia será analisada futuramente), são pioneiros do atual ensino público.
No dia 03 de Setembro de 1911 Padre Afonso saiu do seu sobrado rumo à Estação Hargreaves, onde deveria embarcar para Belo Horizonte a fim de tratar dos interesses de Cachoeira do Campo. Próximo a estação sentiu-se mal e desceu do cavalo, vindo a falecer ali mesmo.
O corpo de Padre Afonso foi sepultado na capela-mor da Matriz de Nossa Senhora de Nazaré, igreja que amou fervorosamente em vida, sendo o último considerado digno de ser sepultado na Matriz.
Seu cortejo fúnebre arrastou milhares de pessoas vindas de todos os lugares para prestar suas últimas homenagens ao grande cachoeirense. Ainda em vida Padre Afonso viu o reconhecimento oficial de seus ideais. Em 1907 foram fundadas as Escolas Reunidas Padre Afonso, que décadas depois receberiam o nome de Escola Estadual Padre Afonso de Lemos.
Por Nydia Lemos
Nascido
em Cachoeira do Campo, a 24 de junho de 1913, era filho de Florentino Fernandes
Costa e Lucília Augusta de Magalhães.
Autodidata, ao longo de sua existência, superando difilculdades financeiras e os obstáculos mercantilistas da época, construiu uma seleta biblioteca, abrangendo todos os ramos da Ciência. E o mais admirável: lia e transcrevia, com exemplar segurança, obras em inglês, francês e alemão. Correspondia com vários diplomatas estrangeiros, abrigava documentos culturais sobre seus países e comparando nossa cultura com a deles, revelava sempre uma grande esperança no futuro do Brasil, através de uma consciência cívica integra.
Casado com Maria Dolores de Lemos, funcionária do antigo Departamento dos Correios e Telégrafos e que também lhe sobrevive, seus conhecimentos lhe eram solicitados, amiúde, por catedráticos, alguns da Escola de Minas de Ouro Preto; por historiadores, como o Dr. Augusto de Lima Júnior e por consulados, à época instalados no Rio de Janeiro, ao buscarem particularidades e documentos raros sobre nossa pátria e sobre o Mundo.
Sempre sonhou com um país soberano e culto. Dizia que sua contribuição se daria através da revelação da importância histórica de Cachoeira na vida nacional. Daí ter pesquisado, incessantemente, sobre sua fundação, sociedade e sentido político. Estendendo os laços históricos, uniu Cachoeira à história de Minas e esta à do Brasil, depositando, nas suas páginas literárias, um grande cabedal de ciência histórica.
Queria muito editar sua obra, mas, quando a oportunidade parecia-lhe despontar, antecedeu-lhe a doença, assim, a 08 de abril de 1982, deixava para sempre, esta terra. (adaptado)
Pouca
gente sabe, mas um dos maiores artistas mineiros do século XIX, Honório Esteves,
nasceu em Santo Antônio do Leite, por volta de 1860. Conta-se que desde cedo
manifestou seu gosto pela pintura, executando pequenos trabalhos e expondo-os
em Ouro Preto. Em 1871 já estudava desenho com o professor Chenoti. No mesmo
ano torna-se moedor de tintas do pintor ouropretano Cardoso Resende. Em 1873
continuou seus estudos no Liceu Mineiro. Em 1875 aperfeiçoou seu desenho com
o professor Bernardino de Brito.
Em 1880, com apenas 20 anos, fez retoques no forro da capela-mor da Matriz de N. Sra. de Nazaré de Cachoeira do Campo, serviço primoroso que certamente lhe deu projeção e fama. Conta certa lenda que D. Pedro II, impressionado com a perícia do jovem pintor, concedeu-lhe bolsa de estudos no Rio de Janeiro, para onde rumou, consagrando-se como exímio artista. De retorno à sua terra, Santo Antônio do Leite, executou excelentes pinturas de forro na Igreja de Santo Antônio. Em Cachoeira, além da Matriz, há obras suas no Colégio D.Bosco e na Escola Estadual Pe. Afonso de Lemos. Na diretoria desta última está o belo quadro, de 1883, retratando o Pe. Afonso. Na parte inferior da pintura, a assinatura caprichosa de Honório Esteves.
Ainda há muito que se estudar sobre este grande artista. No começo da década de 80 foi organizada a exposição "Eu, Honório Esteves" no Museu Mineiro. A nossa população, porém, especialmente a de Santo Antônio do Leite, parece desconhecer este filho ilustre, que tantas obras de arte legou ao Brasil.
Muita
gente em Cachoeira nunca ouviu falar dele, a despeito de ser um dos mais famosos
e proeminentes filhos desta terra. Lúcio José dos Santos nasceu em Cachoeira
do Campo em 27 de julho de 1875. Era filho do Cel. João Inácio da Costa Santos
e de Blandina Josefina dos Santos. Aos 25 anos formou-se na Escola de Minas
de Ouro Preto, ganhando viajem à Europa por ter sido o melhor aluno da turma.
Em 1896 foi eleito vereador da Câmara Municipal de Ouro Preto. Em 1902 casou-se
com Josefina de Figueiredo Santos. Em 1908 formou-se em direito pela Faculdade
de Direito de São Paulo. Ainda em 1908 foi eleito Presidente da Câmara e Agente
Executivo do Município de Ouro Preto (cargo hoje correspondente a prefeito).
Foi catedrático na Escola de Minas em Ouro Preto e na Escola de Engenharia de Belo Horizonte. De 1924 a 1927 foi Diretor de Instrução Pública do Estado de Minas Gerais. De 1931 a 1933 foi Reitor da Universidade de Minas Gerais. Foi fundador e primeiro reitor da Faculdade de Filosofia de Minas. Era membro do Instituto Histórico e Geográfico e da Academia Mineira de Ciências. Religioso profundo, fez viagens a Lourdes, Roma e Palestina. Tinha profundos conhecimentos de filosofia e retórica teológica, além de dominar vários idiomas. Faleceu em 1944.
Teve mais de 30 obras publicadas, entre elas o clássico "A Inconfidência Mineira", livro lido e discutido até hoje. O livro foi fruto das pesquisas realizadas para as comemorações do Bicentenário de Ouro Preto. Nele o dr. Lúcio dá lugar de honra à sua terra natal, escrevendo sobre o Palácio da Cachoeira que ele conhecia como ninguém, pois residiu ali por perto muitos anos.
Houve comemorações em várias partes para festejar o centenário de seu nascimento, em 1975. Em Cachoeira, sua terra natal, poucos devem ter lembrado dele, como acontece até hoje. Naquela ocasião escreveu sobre ele o ilustre pesquisador Paulo Krüger Corrêa Mourão: "No dia 27 deste mês de julho, passa-se o centenário do nascimento de Lúcio José dos Santos, um dos maiores valores humanos que o século passado legou a Minas e ao Brasil".
Randolfo
José de Lemos nasceu em Cachoeira do Campo em 26 de julho de 1873. Era filho
de João Gualberto de Lemos e Francisca Tereza de Jesus, a "Sá" Chiquinha.
Sua surpreendente carreira musical, que o fez grande mestre da Banda de Baixo
e um marco na história de Cachoeira, começou em 1888, quando ele tinha somente
15 anos! Substituiu naquela ocasião, durante um toque, o pratilheiro da Banda.
Dizem que foi um sucesso. Em 1891 se tornou sub-regente, em 1894 regente e
em 1898 diretor! Em 8 de julho de 1899 casou-se com Honorina, tão nova à época
que era quase uma menina.
Seu talento era tão grande que foi certa vez convidado pelo Comendador Carlos Wigg para organizar e dirigir o escritório musical da Usina Wigg, o que recusou prontamente. Seu amor incondicional à Banda de Baixo o impediu de fazer carreira musical em outras cidades. Nunca arrastou o pé da Banda, regendo e dirigindo-a por décadas. Tomou a si a árdua tarefa de formar novos músicos, o que lhe deu a idéia de criar a famosa "Banda de Meninos", que fez história em Cachoeira e forneceu valiosos músicos.
Em 1929 perdeu a visão. Se enganaram os que pensaram que seria o fim da carreira de Randolfo. Mesmo cego continuou regendo a Banda, o que contribuiu muito para sua fama se espalhar, tornando-o quase uma lenda. O memorialista cachoeirense Lúcio Ramos chama esta época da Banda de Baixo de "Era Randolfiana", tamanho o impacto que o grande músico causou na história local.
Tanto amor à música nunca o fez homem de posses. Sacrificou sua carreira profissional em benefício da sua amada Banda, fato lembrado com carinho ainda hoje por sua filha, a D. Lilia do "Correio".
Em 16 de julho de 1962 faleceu o Mestre Randolfo de Lemos, o grande nome da Banda de Baixo. Nunca cursou escolas superiores, foi quase sempre autodidata. A música estava mesmo em seu sangue e era executada de tal forma e brilhantismo que lhe valeu elogios até de Juscelino Kubitschek.
Você
já ouviu falar em Rodrigo José Ferreira Bretas? Não?! Então nunca ouviu falar
de uma das maiores personalidades mineiras do século XIX, o imortal biógrafo
do Aleijadinho. Rodrigo J. F. Bretas nasceu em Cachoeira do Campo em 1815.
Entre 1820 e 1839 alfabetiza-se e forma-se em humanidades nos Colégios do
Caraça e Congonhas do Campo. Entre 1839 e 1844 leciona latim, filosofia e
retórica em Barra Longa, Barbacena e Ouro Preto, além de ter sido nomeado
Promotor Interino da Comarca. Em 1845 casa-se com Maria Cândida de Souza Maciel.
Entre 1846 e 1849 funda e dirige um colégio em Bonfim do Paraopeba. Em 1850
é nomeado Oficial Maior da Secretaria do Governo da Província. Em 1852 é eleito
deputado provincial, o primeiro de quatro mandatos. Em 1854 publica um livro
sobre as origens das idéias do espírito humano. Em 1855 é agraciado com a
nomeação de Cavaleiro da Imperial Ordem da Rosa. Em 1859 instala a Biblioteca
Pública de Ouro Preto. Em 1861 é nomeado Inspetor da Instrução Pública em
Ouro Preto e em 1862 assume da direção do Colégio de Congonhas. Além de professor
e político Rodrigo Bretas foi um iminente inventor, criando e aperfeiçoando
um novo e prático tear mecânico. Faleceu em 27 de agosto de 1866.
Em 1858 Bretas concluiu sua obra mais famosa: a primeira biografia do Aleijadinho, o que lhe valeu a eleição de sócio correspondente do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Nesta biografia Bretas resgata para a posteridade a vida e as obras do famoso Mestre do Barroco Mineiro. Valeu-se de documentos e de entrevistas realizadas com idosos que haviam conhecido o Aleijadinho em vida, entre eles Joana a nora do escultor. Por tudo isso Rodrigo Bretas é justamente reconhecido com um dos maiores vultos mineiros do século XIX e, sem dúvida, um dos mais importantes filhos de Cachoeira. É pena que nós o desconheçamos quase completamente, não lhe fazendo jus à memória.
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