Amarantina

Igreja Matriz de São Gonçalo - Foto: Rodrigo Gomes

Quem de Cachoeira confina o olhar ao poente divisará ao fundo do vale verdejante as torres da Matriz de São Gonçalo de Amarantina. Cresceu a cidadezinha aos pés da velha capela que mais tarde os féis transformariam em uma grande igreja, com duas torres imponentes. Insiste a lenda em dizer que a atual igreja, que no século XIX substituiu a antiga capelinha, é replica em menor tamanho da Igreja de São Gonçalo do Amarante em Portugal, fato até agora não confirmado. Possui a Igreja de São Gonçalo infelizmente poucas relíquias. Há vinte anos atrás sua capela-mor foi destruída para dar lugar a uma moderna e seu altar principal foi vendido! A imagem original do santo também se perdeu. A descaracterização da Igreja de São Gonçalo foi um dos principais exemplos de como nosso patrimônio cultural é tratado. A igreja conserva ainda hoje em seu interior, de interesse artístico, dois altares de estilo D João V e um curioso chafariz de pedra. O maior interesse artístico da construção está, porém, na curiosa e imponente fachada com suas torres quadrangulares, que merece ser apreciada pelo visitante.

Pouco distante da igreja encontram-se as ruínas Chafariz da Igreja Matriz de São Gonçalo - Foto: Rodrigo Gomesde uma imensa casa construída de pedra seca. Atribui a tradição popular que o casarão foi construído pelos primeiros bandeirantes que lá chegaram nos idos do século XVII. Parece realmente, pela análise estrutural, que se trata de construção muito antiga, quiçá contemporânea da famosa Casa de Pedra de Cachoeira do Campo, aparentando-se com ela estilisticamente. Porém não foram encontrados documentos acerca da verdadeira origem da Casa dos Bandeirantes e, nem tampouco, da própria Amarantina. Acredita-se que o povoado tenha surgido em meados do XVIII quando a produção agrícola de Cachoeira entrou em seu apogeu, reservando para os agricultores da Casa Bandeirista - Foto: Rodrigo Gomesbaixada o plantio de alguns produtos especiais cujo terreno encharcado era propício, como o alho, por exemplo. Esta baixada, porque estava constantemente inundada pelas águas do Rio Maracujá, recebeu o nome de Tijuco (que significa brejo). Posteriormente São Gonçalo do Tijuco, em homenagem ao santo vindo de Portugal. Coexistiu daí em diante com a denominação de São Gonçalo do Amarante, em lembrança da cidade portuguesa de origem da imagem. No século XX mudaram-lhe o nome para Amarantina.

Capela de São Vicente de Paula - Foto: Rodrigo Gomes

Em Amarantina está localizado o famoso Museu das Reduções que guarda réplicas de monumentos históricos brasileiros. Outra relíquia cultural de Amarantina é a Cavalhada, tradicional festividade mineira que encontra aqui um de seus últimos refúgios.

Amarantina está a 5Km de Cachoeira do Campo.

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Glaura (Casa Branca)

Vista aérea de Glaura - Foto: Flávio Niquini

Em volta da igreja a grama verde empresta um ar bucólico ao lugar, tão típico das pequenas cidades do interior mineiro. Sobre o verde da grama se ergue, majestosa e imponente, a antiga Matriz de Santo Antônio, com sua fachada cheia de volutas e cunhais de cantaria. A bela igreja é uma lembrança persistente dos tempos áureos, dos dias do século XVIII em que Casa Branca era um próspero povoado produtor de ouro, muito ouro. Às margens do Rio das Velhas estabeleceram-se desde o alvorecer do século XVIII Capela de N.S. das Mercês - Foto:  Rodrigo Gomesmuitos mineradores vindos de todos recantos. Entre estes um se destacou emprestando seu nome como primeiro topônimo do arraial florescente que se chamou de Santo Antônio das Minas de Baltazar de Godoy. Este certo Baltazar possuía uma ermida com três altares barrocos e uma imagem de Santo Antônio. Quando em meados do século XVIII deu-se início a construção da Igreja Matriz estes altares foram inseridos no interior da igreja, como estão até hoje, preservados na nave.

Igreja Matriz de Glaura - Foto: Rodrigo GomesO nome Santo Antônio da Casa Branca deve-se, sem dúvida, à coloração das casas que em geral vigorava nas minas, casas caiadas, casas alvas, casas brancas. A principal construção do povoado continua sendo, contudo, a Igreja de Santo Antônio, que é uma das mais graciosas igrejas de Minas, uma obra de arte talhada nas montanhas. Poucos dados temos sobre a construção da antiga Matriz da Casa Branca. O início das obras se deu em 1757 e o fim provável foi em 1764, data existente sobre a cruz. Foram arrematantes da obra José Coelho de Noronha, Antônio Moreira Gomes e Tiago Moreira, conhecidos empreiteiros da época. A Igreja de Santo Antônio foi construída originalmente para ser Matriz.

No século XIX, porém, com o declínio econômico daCapela de N.S. da Conceição - Foto: Rodrigo Gomes região, a população local se esvaiu. A Igreja de Santo Antônio passou então a ser filial da Matriz de Nossa Senhora de Nazaré de Cachoeira do Campo, como é até hoje. Na sua obra sobre Cachoeira o Pe. Afonso dedica um longo capítulo especial à Casa Branca, tal a ligação histórica entre os dois povoados irmãos. No século XX o poder público mudou o velho e histórico nome do povoado para Glaura, alusão a um poema famoso. Este fato é lamentado pelo pesquisador Salomão de Vasconcelos que viu nisto uma depredação de nossos topônimos antigos. O certo é que a população ainda conserva o nome primitivo, chamando a todo momento o povoado de Casa Branca, uma pequena jóia das Minas Gerais.

Casa Branca fica a 7Km de Cachoeira do Campo. Maiores informações sobre o distrito podem ser visualizadas no site: www.glaura.hpg.com.br

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Rodrigo Silva

Estação de Rodrigo Silva - Foto: Rodrigo Gomes

No dia 1° de janeiro de 1888 o céu azul iluminou a singela estaçãozinha ferroviária do lugar. Todas as construções do complexo ferroviário cheiravam tinta fresca, iriam ser inauguradas naquele dia por um visitante ilustre. A grande locomotiva cuspiu fumaça e fogo no alto da serra. O vagão luxuoso aportou no patamar da estação. O velhinho de cartola e barba branca, que desceu logo em seguida, despertou vivas na multidão de ferroviários, que por anos a fio trabalharam na execução daquela obra gigantesca. O velhinho de barbas brancas era o Imperador D.Pedro II, sua missão naquele dia era inaugurar o complexo ferroviário de Rodrigo Silva, construído sobre as velhas fazendas da antiga José Correia. Pouca gente conhece esta cena ou já ouviu falar nisso, mas assim nasceu oficialmente Rodrigo Silva.

Os primeiros registros relativos ao local denominadoAntiga Igreja Matriz de Rodrigo Silva - Foto: Arquivo José Correia sempre estão ligados à Santa Quitéria do Alto da Boa Vista, antiga paragem colonial, hoje abandonada, nas proximidades de Rodrigo Silva. A mineração de topázio sempre esteve presente na história do lugar. Viajantes estrangeiros já registravam a exploração de topázio no início do século XIX. Algumas destas lavras de topázio eram gigantescas empregando centenas de escravos. Até a chegada dos ferroviários José Correia compunha-se de fazendas espalhadas por léguas de distância. A mais famosa delas é a Fazenda do Fundão, ainda existente. Nesta fazenda nasceu em 1870 Alfredo Fernandes dos Prazeres personagem importante na construção da nova cidadezinha ferroviária. Quando no começo da década de 1880 fez-se o projeto dAtual Igreja Matriz de Rodrigo Silva - Foto: Rodrigo Gomesa estrada de ferro ligando o Rio de Janeiro à Ouro Preto, projetou-se também uma nova paragem a se estabelecer em José Correia, que teria seu nome mudado para Rodrigo Silva em homenagem a um ministro imperial. O complexo ferroviário inaugurado em 1888 em volta da estação estendeu-se posteriormente de um lado a outro, paralelo à estrada de ferro. Alfredo Fernandes estabeleceu em Rodrigo Silva casas de comércio e doou o madeiramento para a construção da Igreja de Santo Antônio, padroeiro do lugar. As mercadorias chegadas na estação eram então distribuídas pela região, por vários tropeiros a serviço do jovem fazendeiro.

No começo do século XX fundou-se a Sociedade Musical Santa Cecília de Rodrigo Silva, símbolo primeiro da cultura desenvolvida pelos ferroviários. No arquivo desta banda encontram-se composições feitas pelos ferroviários, demonstração de grande apuro musical. Hoje nos trilhos de Rodrigo Silva não passam mais trens, mas a cultura do topázio continua, com a exploração do famoso topázio imperial, único do mundo.

Topázio Imperial - Foto: Divulgação

Rodrigo Silva fica a 12 Km de Cachoeira do Campo.

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Santo Antônio do Leite

Igreja Matriz de Santo Antônio do Leite - Foto: Rodrigo GomesAmanheceu no Quartel da Cavalaria em Cachoeira. Os soldados aquartelados começam seus exercícios matinais. Alguns correm até às fazendas localizadas à sudoeste de Cachoeira, a uns 6Km dali. Vão buscar leite fresco, tirado na hora, para abastecer o Regimento. Corre o último quartel do século XVIII. Um pequeno povoado começa a nascer entre aquelas fazendas. Uma pequena capela em honra a Santo Antônio é erguida. Uma capela de Santo Antônio no lugar onde se produz leite. Uma capela de Santo Antônio no leite. Uma capela em Santo Antônio do Leite! Assim nasce o pequeno povoado, envolto nas montanhas, um povoado de curioso nome, que a população da região abreviou só para Leite.

Capela de São Sebastião - Foto: Rodrigo Gomes

Desde sua fundação Santo Antônio do Leite esteve ligado à Cachoeira. Várias famílias dos dois locais possuem troncos familiares comuns. Santo Antônio do Leite só se separou oficialmente de Cachoeira como distrito autônomo nos primeiros anos do século XX. As fazendas da região abasteciam Cachoeira de leite e bananas - Santo Antônio do Leite já foi um dos maiores produtores de bananas do Brasil!

Capela de São José em Gouveia - Foto: Rodrigo GomesO principal monumento do Leite, visível de vários pontos e ao longe, é a Igreja de Santo Antônio. Conta a lenda que certo personagem apareceu por lá nos idos do século XIX. Veio cumprir uma promessa: construir uma grande igreja para Santo Antônio, santo de quem alcançara um milagre. Com muito esforço e esmola, por fim, a capelinha deu lugar a uma ampla e graciosa igreja. Para decorar os tetos do templo contrataram um filho de Santo Antônio do Leite, o famoso pintor mineiro Honório Esteves. Contam os mais antigos que Honório cumpriu então uma promessa feita quando criança, que ele decoraria o teto da igreja de sua terra natal. Passado o tempo cumpriu o que prometera agora como renomado artista, louvado até pelo próprio imperador D. Pedro II. Na década de 80, infelizmente, a capela-mor da igreja foi derrubada para ampliação do espaço interno e o altar principal se perdeu. Fruto da falta de conscientização patrimonial este tipo de ação tem suprimido muitas Antigo casarão - Foto: Rodrigo Gomespáginas da história de Minas. Porém o visitante pode ainda vislumbrar a grandiosidade das pinturas de Honório Esteves conservadas na igreja de Santo Antônio do Leite. As obras de Honório Esteves estão entre os principais legados do século XIX à cultura mineira.

Santo Antônio do Leite está a 7Km de Cachoeira do Campo.

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São Bartolomeu

Igreja Matriz de São Bartolomeu - Foto: Associação ComunitáriaEntre os aprazíveis vilarejos coloniais mineiros se acha a pequena São Bartolomeu. Pelas ruas e campos o visitante faz uma viagem no tempo. Ao longe podem-se avistar as torres da misteriosa Igreja de São Bartolomeu, principal monumento do lugar e um dos principais monumentos artísticos e arquitetônicos do Brasil. A história da igreja, assim como todo povoado, é envolta em mistério. Pouquíssimos documentos chegaram até nós. O que se sabe é que o monumento é dos mais antigos erguidos em solo mineiro. Sua fachada e seu interior bem preservados, sem superposições posteriores, fascina o visitante, pela beleza e misticidade do ambiente. Na torre esquerda há guardada uma preciosidade incomum: um sino todo feito em madeira! Acredita-se que em todo mundo só há mais um do tipo. E já houve até quem percebesse influência árabe na decoração da famosa igreja!

Em agosto a pequena e antiqüíssima imagem de SãoCapela de NS das Mercês - Foto: Rodrigo Gomes Bartolomeu é alvo de romarias vindas de várias partes do Brasil, à procura dos milagres do padroeiro. Conta-se que nas proximidades do povoado o próprio São Bartolomeu foi visto lutando com o diabo em pessoa! Verdade ou não, aos pés da imagem está um diabo derrotado pela espada milagrosa do apóstolo. Na festa do famoso santo há de tudo, o mundo profano se mistura aqui com o sagrado, barracas de jogos e doces se misturam com vendedores de velas e terços. Gente de toda a parte movimenta o pequeno povoado.

Procissão em São Bartolomeu - Foto: Alex Bohrer

Saindo da Igreja o visitante pode vislumbrar o curioso Oratórios - Foto: Rodrigo Gomescasario colonial a serpentear pela rua principal. Casas e casarões de dois andares, com telhados e paredes tortas, disputando o horizonte com as montanhas verde-escuras, emprestam um ar místico ao local. Em algumas casas encontram-se raridades do século XVIII: oratórios públicos inseridos nas construções. Há pelo menos três destes oratórios na rua principal. Até mesmo estes pequenos oratórios estão envoltos em mistério. Diz-se por lá que eles foram confeccionados para espantar o grande número de assombrações que visitavam as noites de São Bartolomeu!

O maior tesouro cultural de São Bartolomeu parece ser a cultura secular dos doces. Produz-se na cidade doces de todos os tipos: cidras, doces de leite, cocadas, marmeladas etc. Mas o mais famoso doce de São Bartolomeu é sua goiabada cascão, procurada porTacho de doce - Foto: Associação Comunitária todo mundo. Comida com queijo caseiro a goiabada é a sobremesa mais famosa de Minas Gerais. Em São Bartolomeu estes doces são feitos em quase todas as casas, em grandes tachos de cobre, com antigas receitas passadas de geração em geração. Relatos há de viajantes estrangeiros que experimentaram os doces de São Bartolomeu no começo do século XIX. E adoraram! Tudo isto faz de São Bartolomeu uma relíquia da cultura mineira e brasileira.

São Bartolomeu fica a 18Km de Cachoeira do Campo.

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Povoados

Dores da Bela Vista
Trino (Dom Bosco)
Santa Quitéria da Boa Vista (Boa Vista)

 

Dores da Bela Vista

Capela das Dores - Foto: Rodrigo Gomes

Na lista destes pitorescos povoados abandonados que rodeiam Cachoeira está Dores da Bela Vista. O amante de passeios não pode deixar de dar uma passadinha por lá. De Cachoeira segue-se cerca de 10 km até o Trino (Estação Dom Bosco), do Trino se desce mais 10 km, rumo a Ouro Branco, pela velha estrada de terra. De um alto ver-se-á ao fundo a melancólica Capela de Nossa Senhora das Dores da Bela Vista. Ao redor do expectador a realmente 'bela vista' de vales e montanhas, campos e capoeiras. Antigamente Bela Vista teve uma rua com casas na ladeira da capela, Portão do Cemitério da Capela de Bela Vista - Foto: Rodrigo Gomesmas hoje só há ruínas. Casa mesmo só uma aqui, outra acolá. Garimpeiros habitam a maioria delas em busca do cobiçado topázio imperial. Ao lado da capelinha o pequeno e antigo cemitério de pedra guarda os moradores de outro tempo. No século XIX Bela Vista estava à margem de um movimentado caminho, e a Capela das Dores foi uma das muitas que se ergueram nestes caminhos de antanho. No alto da serra que rodeia a capela há uma grande e velha cruz de ferro marcando o lugar da morte trágica de um homem por relâmpago. Dizem que é uma cruz mal assombrada. O certo é que tanto ela, a capelinha e as ruínas causam profunda impressão ao visitante, pequenas frente à paisagem montanhosa, testemunhas de outros tempos mais prósperos.

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Trino (Dom Bosco)

Casarão no Trino - Foto: Rodrigo Gomes

A estrada de ferro central do Brasil teve grande importância em nossa região até há uns 20 anos atrás. Mas, como todo mundo sabe, Cachoeira não é cortada por ela. Qual foi a solução encontrada pelos nossos antepassados para usufruir deste meio de transporte?Vista da antiga Estação Dom Bosco - Foto: Arquivo Construir uma estação no antigo Trino, distante uns 7 Km ao sul de Cachoeira. A estação construída com a ajuda dos salesianos (daí o outro nome do Trino, mais difundido, Dom Bosco ou estação Dom Bosco), trouxe uma onda de desenvolvimento súbita ao pequeno Trino; foram construídos diversos armazéns e até algumas construções imponentes.

Ruínas da Estação do Trino - Foto: Rodrigo GomesUma visita ao Trino é voltar aos tempos áureos da estrada de ferro. O visitante seguirá pela estrada Dom Bosco. A cada curva aparecerão no horizonte as altas montanhas de Rodrigo Silva e o Alto da Figueira, o ponto mais alto da Central do Brasil no país. Hoje o Trino é quase um lugar abandonado; a estação ruiu, a capelinha está perdida nos campos. Mas pelo que resta ainda é possível perceber outros tempos mais prósperos, quando pessoas de todas as partes transitavam nas suas ruas, vindas com o trem.

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Santa Quitéria da Boa Vista (Boa Vista)

Capela de Santa Quitéria - Foto: Rodrigo Gomes

Para quem gosta de fazer caminhadas uma boa dica de passeio é o histórico povoado de Santa Quitéria do Alto da Boa Vista.

A caminhada é toda feita pela Estrada de Ferro Central do Brasil. Pela ferrovia abandonada o trajeto desde Rodrigo Silva é de aproximadamente 3 km, no sentido de Ouro Preto. O zigue-zague da linha descortinará ao trilheiro um mundo de montanhas e vales verdejantes. Destacando-se contra o azul do céu está o Alto daSino da Capela de Boa Vista - Foto: Rodrigo Gomes Varanda, montanha cujo curioso nome se desconhece a origem. De um lado da imponente montanha está Rodrigo Silva, ao sopé. Do outro se esconde a velha Boa Vista. O visitante verá, depois de meia hora de caminhada, as silhuetas das casinhas. Abandona-se então a estrada de ferro e segue-se à esquerda, por um caminho de terra. No alto da colina se destaca a capelinha de Santa Quitéria, alegadamente uma das mais antigas de Minas. A maioria das casas está abandonada, a ruir.

Na verdade Boa Vista é quase um destes povoados fantasmas. O silêncio da paisagem não revela o passado do lugar. Somente as ruínas aqui e acolá deixam entrever os tempos em que Boa Vista era um próspero povoado. As pequenas cruzes do seu cemitério sepultam os antigos moradores e com eles a vida de outrora.

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