Matriz de Nossa Senhora de Nazaré
Considerada
a jóia do barroco mineiro e sendo um dos principais monumentos artístico-arquitetônicos
do Brasil, a Matriz de N. Sra. de Nazaré é sem dúvida o principal orgulho
dos cachoeirenses.
A atual igreja substituiu uma ermida primitiva construída por volta de 1700. É provável que o altar-mor e os dois do Cruzeiro sejam mais ou menos desta época. Em 1708 foi elevada à paróquia de missão. Em 1710 foi feita a provisão episcopal para a paróquia. Em 1724 foi elevada à paróquia colativa. Em 1725 há a primeira referência direta a obras na Matriz, sendo que nesta data ela já estava praticamente com sua construção concluída. Em 1726 foi encomendado o altar de N. Sra. do Rosário a Manuel de Mattos, tendo por base o altar de São Miguel e Almas que lhe é fronteiro. Todos os outros altares são mais antigos que estes. Alguns anos antes de 1726 já devia estar-se reconstruindo com pedra a estrutura física da igreja, assim como aumentando a nave, podendo-se deduzir isto pelo fato de neste ano constar-se a construção do coro, púlpitos e pintura de forro da nave.

A pia batismal foi feita em 1727. Entre 1733 e 1735 foi feito o douramento da maior parte da igreja por Manuel de Souza e Silva de Vasconcelos. Em 1737 há referência às duas torres, não se sabendo se foram construídas ou reconstruídas. Também neste ano houve obras no guarda-pó e conserto no retábulo. Em 1752 foi feito o douramento e parte da talha do arco do Cruzeiro, arcadas do coro e tarja. Em 1755 foi feita a pintura do teto da capela-mor por Antônio Rodrigues Bello. Entre os anos de 1744 e 1760 o artista europeu Rodrigo Brum confeccionou as valiosas pratarias da Matriz, que são consideradas por muitos a sua obra-prima. Em 1792 houve a reconstrução definitiva das torres e em 1860 foi construído o novo frontispício.
A
descrição da Matriz de N. Sra. de Nazaré tem sido tarefa difícil até mesmo
para famosos pesquisadores, que a consideram uma das obras primas do Barroco.
Segundo o Dr. Paulo Krüger Corrêa Mourão seu interior é indescritível. A decoração
do altar-mor, assim como dos demais, pertence ao Estilo Nacional Português
que é justamente a primeira fase do Barroco Mineiro, do qual a Matriz constitui
o principal exemplo. Esta fase é a mais complexa, caracterizando-se pela riqueza
e profusão de ornatos. A Matriz segue este estilo com características que
lhe são muito peculiares, o que a torna única neste sentido. O altar-mor é
realmente monumental, possui quatro colunas em espiral que sustentam as arquivoltas
concêntricas (como é típico desta fase), há no alto uma tarja central onde
se figuram os símbolos do Santíssimo Sacramento.
No
trono fica a imagem de N. Sra. de Nazaré, linda obra de madeira. Veio de Braga
no começo do século XVIII para substituir a outra imagem de 40cm, que, segundo
a lenda, pertenceu ao primeiro morador de Cachoeira, Manuel de Mello. A decoração
das paredes da capela-mor segue o mesmo estilo, havendo variadas esculturas
em alto relevo, oito grandes colunas em espiral e oito quadros figurando cenas
da vida de Cristo, os evangelistas e outros de caráter simbólico. O teto da
capela-mor, pintado por Antônio Rodrigues, inaugurou em Minas o estilo de
pintura em perspectiva, abrindo caminho para a pintura Rococó.
No alto do imponente arco do cruzeiro figura a bela tarja, cujo arremate já se faz em estilo D. João V. Ao lado do arco ficam os dois altares colaterais, o da esquerda ostenta uma impressionante imagem do Crucificado e o da direita possui Santo Antônio como orago. Os dois altares da nave são bastante altos e possuem uma profusa decoração que lhes dão um aspecto majestoso e soberbo. O altar da esquerda é dedicado a N. Sra. do Rosário e o da direita, a São Miguel e Almas. Os púlpitos possuem curiosa decoração, constituída de interessantes ornatos rendilhados, com influência nitidamente oriental. O coro tem o formato rebuscado típico do barroco e é considerado um dos mais belos do Brasil. Sob o coro há três telas representando cenas da história de Adão e Eva e do Apocalipse. As pinturas da nave são executadas em forma de caixotões e possuem temas diversos. Os painéis da sacristia e da dependência adjacente seguem o mesmo estilo. Segundo a tradição, o pequeno altar do Santíssimo pertenceu à família de Manuel de Mello e já fazia parte da capela primitiva.

Atualmente a Matriz precisa de reformas urgentes, bem como seu imaginário que é um dos maiores e mais importantes no conjunto do Barroco Brasileiro. É de nossa responsabilidade a conscientização deste assunto para que não deixemos que o tempo vença este orgulho mineiro que é a Matriz de Nossa Senhora de Nazaré de Cachoeira do Campo.
Igreja de Nossa Senhora das Dores

Construída no ano de 1761 para as celebrações da
Semana Santa, a graciosa Igreja de N. Sra. das Dores torna-se bela em toda
sua singeleza. O que chama logo a atenção de quem entra é o seu forro todo
ornamentado com painéis artisticamente pintados. Figurando o centro do teto
da capela-mor está N. Sra. das Dores em meio a alguns
anjos. Interessante notar nesta composição que N. Sra. das Dores parece ferir,
com uma de suas espadas, o homem que está ajoelhado a seus pés. Deduz-se disto
que esta cena deva representar um ex-voto, isto é, alguém que alcançando uma
graça a mandou representar em sua lembrança. Os 15 painéis da nave, todos
de inspiração medieval, representam a paixão de Cristo, desde o horto das
oliveiras até a
ressurreição. Deve-se notar ainda a balaustrada original que divide a nave
e o curioso piso de lajotas de barro cozido, que cobre todo o corpo da igreja,
com suas marcas de patinhas de cachorro e dedos de crianças peraltas.
A expressiva imagem de N. Sra. das Dores possui
a curiosidade de ser uma imagem de roca. Chegou em Cachoeira nos meados do
século XVIII e possuía várias jóias, que desapareceram. Conta a lenda que
sob os auspícios de certa senhora chamada Maria Dolorosa, esta imagem percorria
as casas de Cachoeira
angariando
fundos para se construir a igreja. Uma outra antiga lenda afirma que os inconfidentes
reuniam-se em seu interior para, do alto de sua torre esquerda, espionar o
Visconde de Barbacena em seu Palácio. Ainda hoje é possível avistar as ruínas
do Palácio de Campo do alto desta mesma torre.
Recentemente a igreja sofreu uma grande restauração, porém algumas de suas pinturas já se acham deterioradas.

Igreja de Nossa Senhora das Mercês
Construída toda em tijolos por obra de Padre Afonso
foi provavelmente concluída em 1908. A Igreja desenvolve exteriormente o estilo
Neogótico e possui três altares de madeira escura. Seu exterior curvo possui
uma torre. Durante muitos anos
esteve
abandonada até que na década de 1980 seu teto desabou. Apesar de ter chamado
na época atenção da imprensa o teto da nave foi reconstruído desrespeitando
o plano original da igreja. Além do interesse histórico a Igreja das Mercês,
como é chamada, tem interessante valor na paisagem urbana de Cachoeira.
Igreja de Nossa Senhora do Bom Despacho
Eleva-se
a igreja de N. Sra. do Bom Despacho na parte baixa de Cachoeira, bem no começo
da antiga Rua de Baixo. Sua localização e seu orago lhe revelam grande antiguidade,
o que é corroborado pela análise de sua estrutura externa, com destaque à
escadaria que lhe dá acesso. Seus sinos possuem as datas de 1855 e 1866, sendo
comum em Minas os sinos serem bem mais novos que o restante da igreja. Analisando
a pequena sacristia e suas paredes laterais, supõe-se que o corpo da igreja
sofreu várias modificações no final do século XIX e início do XX. São estas
modificações que levaram erroneamente Lúcio Fernandes Ramos a indicar a data
de 1908 como ano provável da construção. As
lembranças da grande restauração para aquele menino que então tinha oito anos
o fizeram certamente incorrer em erro. O certo, porém, é que a Igreja de N.
Sra. do Bom Despacho deve ter sido edificada no primeiro quartel do século
XVIII, conclusão a que chegou também o famoso historiador Augusto de Lima
Júnior. Opinião semelhante foi compartilhada pelo historiador cachoeirense
João Baptista Costa nos seus vários manuscritos. Seu interior possui três
altares de madeira graciosamente pintados e recortados, remontando provavelmente
sua execução já ao século XIX. Ainda existem nestes altares curiosas imagens
entalhadas em madeira. Possuía também um elevado coro que infelizmente se
perdeu.

Construída no século XVIII, é também conhecida como
Capela da Cruz dos Monges. Sua edificação envolve uma terrível lenda: há muito
tempo, um monge cavalgando teria prendido seu pé no estribo do cavalo, que
o teria arrastado até aquele local onde ele faleceu. Dali para frente, aquele
lugar recebeu o nome de Cruz dos Monges em lembrança do sacerdote. O certo
é que era um famoso ponto de culto ao santo, atraindo pessoas dos mais variados
locais que lhe traziam oferendas num curioso culto religioso, que observado
em poucos lugares, têm chamado a atenção de antropólogos. Devia ainda a capela
servir de pouso a tropeiros, sendo constantemente citada em seus "causos",
em especial pelos tropeiros que, vindos da
região
de Ouro Branco e Itatiaia, se abasteciam nos armazéns de Cachoeira. Deve ter
servido também como oratório aos militares que, vindos do quartel em seus
exercícios matinais, descansavam nas redondezas. Apesar de seu grande interesse
cultural e antropológico esteve a capelinha ameaçada recentemente de demolição.
Capela de Nossso Senhor dos Passos (Capela de Santa Rita)

Construída na mesma época que a Igreja das
Dores
para as celebrações da Semana Santa. Na verdade, sua invocação é a do Senhor
dos Passos, sendo que aí era guardada sua imagem principal. Era local de oração
nos séculos XVIII e XIX para os viajantes que, indo e vindo das diferentes
comarcas de Minas, hospedavam-se nas pousadas que outrora existiam no velho
Tombadouro.
Capela de Santo Antônio (Centro)

Foi construída na segunda metade do século XIX.
Estava em ruínas, mas foi reconstruída recentemente, graças à ação da comunidade
que, num louvável gesto de consciência cultural, se uniu preservando a pequena
capela. Na reconstrução foram usadas antigas fotos
que, seguidas de perto em seus moldes, permitiram erguer-se o corpo da igreja
tal como se apresentava originalmente, valorizando novamente o conjunto urbano
ao redor da capela.
Capela de Santo Antônio do Madureira
Parece
ter sido reconstruída no início do século XX. Referências a devotos adorando
uma grande cruz que existia em sua frente são antiqüíssimas, remontando à
mesma época das lendas da Cruz dos Monges. Hoje, além de seu valor cultural,
apresenta valor paisagístico, localizada como está no alto de um imenso campo.
Capela de São Francisco de Paula

Construída no século XIX, apresenta em seu frontispício
a data de 1877. Possui uma interessante imagem de
São Francisco de Paula. Sofreu várias restaurações no século XX, algumas infelizmente
alterando sua antiga planta baixa. A capela se encontra no alto da rua que
hoje leva seu nome. Antigamente, chamava-se Rua do Campo.
A
capela é muito pequena e sua existência deve remontar ao século XVIII. No
começo do século XX deve ter sido ampliada, como se deduz da análise de sua
estrutura externa. A imagem original do padroeiro se perdeu. Seu sino possui
a data de 1911. A rua que hoje leva o nome do santo originalmente chamava-se
Rua do Rego, pois por ela passava o rego que levava água do açude para o lago
artificial do Palácio.
Capela de Nossa Senhora Auxiliadora
Construída na década de 30, em anexo ao Colégio das Irmãs, a Capela de N. Sra. Auxiliadora com suas várias ogivas lembra as antigas catedrais da Idade Média. Nada tem, porém, com a antiga capela dos governadores de cuja grande riqueza e luxo se sabe, mas que infelizmente desapareceu ainda no século XIX.
O Palácio de Campo e sua Ponte
É pena que Cachoeira não tenha preservado seu passado,
perdendo grande parte de seu patrimônio histórico. Prova disso são ruínas
vistas em vários pontos, como alicerces de casas, intermináveis muros de pedra
seca, paredes isoladas escurecidas pelo tempo. Ainda pode-se visitar restos
de construções famosas, como a da pousada onde se reuniram os inconfidentes,
e as ruínas do antigo Palácio de Campo, onde se ergue o prédio do Colégio
das Irmãs. Ali se
vêem
as imensas muralhas do lago do governador que foi considerado uma das principais
obras de engenharia da época. Possuía o lago cerca de 100 metros de comprimento
e 35 de largura com profundidade variando em até 7 metros, o que o tornava
um imenso reservatório com a incrível capacidade de armazenar 25 milhões de
litros d'água! Possuía até mesmo um escaler (pequena embarcação à vela) de
7 metros de comprimento! Pouco distante do lago e ainda em uso está a famosa
Ponte do Palácio construída no século XVIII para dar acesso ao Palácio. Possui
30 metros de
comprimento e é toda feita em pedra bruta, assentada em argamassa tendo o
sangue de boi como coagulante. Por ela passaram homens famosos como D. Pedro
I e seu filho, Pedro II, Tiradentes, Tomáz Antônio Gonzaga e Manuel Bandeira.
Nunca sofrendo reforma, com exceção dos parapeitos que foram recentemente
reconstruídos, vem resistindo heroicamente aos séculos, apesar do desrespeito
com que geralmente é tratada. Todas estas ruínas permanecem inertes como testemunhas
mudas de um passado em muito perdido.
Quantas
gerações e quantas Cachoeiras diferentes o velho cruzeiro da praça não viu
passar? Figurando o centro da praça da Matriz, o Cruzeiro de Pedra, como simplesmente
é conhecido, rouba sempre o olhar do transeunte que, curioso ou não, não deixa
de querer saber o que aquele velho bloco de pedra significa. Analisando o
estilo da obra percebe-se que deve ter sido construído no primeiro quartel
do século XVIII. Vicente Racioppi, em conformidade com o estilo, sugeriu uma
data entre 1709 e 1720, anos que medeiam a Guerra dos Emboabas e a Sedição
de Filipe dos Santos, episódios que devem estar ligados à sua construção.
Trata-se de uma grande estrutura de pedra assentada
numa base quadrangular formada por quatro degraus (um dos quais se acha soterrado
sob o calçamento moderno). Na parte inferior do cruzeiro estão algumas inscrições
semi-apagadas e vários instrumentos
relativos ao martírio de Cristo. Na parte superior a inscrição INRJ (Jesus
Nazareno, Rei dos Judeus) arremata a obra. Uma velha tradição afirma que foi
erguido em lembrança da prisão de Filipe dos Santos, a pedido de sua família.
Há, porém, algumas outras versões. Poderia o cruzeiro ser a base tumular do
primeiro morador, Manuel de Mello, ou ser um monumento
comemorativo
da Guerra dos Emboabas? Somente a descoberta de novas documentações poderá
dizer o real motivo da construção do misterioso cruzeiro que tem despertado
a imaginação de pesquisadores e curiosos de várias partes do Brasil.
Considerado um dos berços da liberdade do Brasil e sendo um de seus principais monumentos, o Colégio Dom Bosco é outro grande referencial na nossa história. Foi construído em 1779 por D. Antônio de Noronha para abrigar o recém formado Regimento Regular de Cavalaria de Minas, conforme está escrito na tarja de sua portada externa que, segundo se crê, é obra do Aleijadinho. O quartel, como era chamado na época, foi uma das sedes do movimento da Inconfidência, onde servia como alferes o Tiradentes. Em 1819 uma carta régia de D. João VI criou a Coudelaria Real, que se tornou famosa como o maior centro criador de cavalos de raça da província, partindo dali a gênese de algumas das raças mais apreciadas no Brasil e no exterior.
O
prédio serviu para fins militares pela última vez na Revolta de 1833. Permaneceu
vários anos abandonado até que se tornou sede da colônia agrícola Cesário
Alvim e, em 1896, quando os salesianos vieram para Cachoeira, um estabelecimento
de ensino destinado a formar Engenheiros Agrônomos. Com o tempo tornou-se
conhecido como Colégio Dom Bosco. Primeiro estabelecimento salesiano de Minas,
nele estudaram personagens importantes de nossa história como o famoso historiador
Augusto de Lima Júnior. Conserva ainda, além do brasão de sua portada, algumas
relíquias como a primeira imagem de N. Sra. Auxiliadora a entrar em Minas,
um grande relógio de sol situado no pátio interno e a primeira serralharia
hidráulica do Brasil, construída no início do século XX com um funcionamento
muito interessante e original, mas hoje infelizmente bastante deteriorada.

Fotografias antigas mostram Cachoeira como possuidora de um acervo razoável de construções de importância histórica e arquitetônica. Os grandes mercadores de Cachoeira construíram através dos tempos luxuosos sobrados cercados, pelos lados, por muros de pedra (ainda visíveis em muitos pontos). As singelas e pitorescas casinhas coloniais e do século XIX se apresentavam nos arredores, mais distantes do centro, elas ainda existem em certos pontos do Tombadouro, São José e São Francisco.

Pena que Cachoeira perdeu grande parte do seu casario histórico. As que subsistem, porém, contam parte importante da nossa história, desde os primórdios da mineração com construções dos finais do século XVII, construções mais apuradas de meados do XVIII, chalés do século XIX e até requintados exemplares ecléticos do começo do século XX.
No séculos XVIII e XIX água encanada em casa era um luxo a que se prestavam poucas fortunas. Em Cachoeira somente umas três casas possuíam água encanada, o resto da população se abastecia com o baldeamento diário de água dos chafarizes que outrora enfeitaram nossas ruas. Calcula-se que Cachoeira possuía cerca de dez chafarizes. Por se localizarem, em algumas situações, no meio de ruas, impedindo a circulação de veículos motorizados, ou mesmo por desuso contínuo, eles foram desaparecendo. Somente três resistiram ao ataque e à fúria do tempo e dos vândalos. São eles: O Chafariz da Praça, o Chafariz do Corte e o Chafariz de Pe. Afonso.

O Chafariz da Praça é o mais antigo de todos. Situa-se na praça Filipe dos Santos, próximo ao Cruzeiro de Pedra. Possui um grande tanque ladeado de pedra azul e uma vertente. Possuía em outros tempos dois encaixes de ferro batido onde se apoiavam os baldes de água. No tanque os cavalos matavam a sede e descansavam das longas jornadas nas estradas poeirentas de Minas.
O
Chafariz do Corte situa-se um pouco atrás da Igreja das Mercês, na encruzilhada
do Tombadouro, no antigo lugar do corte. Encontra-se numa baixada, posição
que facilitava o escoamento da água vinda do Tombadouro. Aliás, esta água
vinha conduzida por uma canalização rústica, feita de pedra e barro cozido,
espécie de telhas, abertas em cortes nos quintais (o que provavelmente deu
nome ao chafariz em questão). Dali a água seguia para quase todos os outros
chafarizes.
Situado
no alto da "Ladeira", o Chafariz de Pe. Afonso foi construído em 1877 às expensas
do venerando padre. Possui a forma de um grande pilar onde duas vertentes
afloram de lados opostos, correndo a um tanque situado na parte inferior e
que era usado como bebedouro para animais. Possui em uma das faces do pilar
a inscrição misteriosa 1877 L.J.M. Em 1913, quando foi inaugurada a canalização
pública de água, os chafarizes foram desligados da antiga canalização de pedra
e dos arroios cavados no Tombadouro e ligados ao novo sistema. Com o tempo,
os chafarizes entraram em desuso e foram entregues à ação das intempéries
e do vandalismo. Hoje é necessário que sejam recuperados e reconhecidos como
um patrimônio que precisa ser preservado.
| |
|
|
|||||||||||||||||||||||||||||
|
|
|
||||||||||||||||||||||||||||||
|
|
|
|
|
||||||||||||||||||||||||||||
|
|
|
||||||||||||||||||||||||||||||
|
||||||||