Cachoeira
do Campo - Mário de Lima
Salve, Oh Mãe de Minas- Rodrigo Gomes
Cachoeira do Campo - Irmã Carminha
Cachoeira do Campo - Efigênia Gomes Pimenta
Acróstico - Fidel Perine
Humílimo arraial, há um
mundo de lembranças...
Nas muralhas senis do teu Palácio em ruínas...
E eu cuido, ainda hoje, ouvir um tropel de ordenanças, No Quartel colonial,
a echoar pelas campinas.
Passam dragões d'EL Rey...
Há um retinir de lanças
Em torno ao bicolor pendão das sete quinas.
E aos meus olhos revive, em mágicas mudanças,
O tempo em que vibrava em ti a alma de Minas.
Em continuo vae - vem, cheia
de gente a estrada
De Villa Rica... Erecto, a cabeça altanada, preso,
o vulto immortal de Felippe dos Santos...
Capitães - generais... Nobres...
Plebeus... São tantos! Tudo, em sonho, revejo, à vossa luz fagueira,
Ó noites de luar, ó céus de Cachoeira!
Mário de Lima, abril de 1915.
Ó
terra erguida entre as grandes colinas
Vastos campos onde se avista a linda cachoeira
Bravos homens aventureiros
Á descobriram no coração das Gerais
A Nossa Senhora de Nazareth dos Campos de Minas.
Ó
terra fecunda que alimentou o
Sonho dos mineradores
De sua terra brotou a semente que
Germinava o ouro
O principal e importante caminho
Que trilhava as Minas Gerais
Fazendo aqui chegar grandes homens
Como Manuel de Mello.
Ó
terra serene agora abençoada à vida
Que no sonho do bandeirante trouxe a fé
Criando seus pequenos povoados
Ofertados à Deus e este dedicado a
Veneração da Virgem de Nazaré.
Ó
terra bendita, aclamada e por mais abençoada
Ao redor da pequena ermida nova vida suspirava
Que viria os combates, os movimentos,
Os sonhos e os murmúrios
Dos homens que aspiravam os ideais libertários do futuro.
Ó
terra de fé sublime, de brisa suave e ar puro
Terra da Virgem de Nazaré, mãe doce e humilde
Do povo que na sua fé ergueu
O mais suntuoso templo
Simplesmente a jóia incomparável
Do Barroco Mineiro.
Ó
terra que construiu sua fé em torno da santa Organizando-se em grandes e poderosas
irmandades Que em suas humildes e perenes concepções de fé Tornaram Cachoeira
do Campo a
Nova Nazaré de Minas
Ó terra tricentenária das seculares
Corporações musicais
Pérolas cantantes, Euterpe Cachoeirense e União Social Que de sua majestosa
e harmoniosa música ecoam a fé A sempre amada, nossa mãe,
Senhora de Nazaré.
Rodrigo
da Conceição Gomes
Publicado no semanário O Liberal Ano XIV
Edição: 489 - 03 a 09/09/2001
Coluna Cartas aos Tempos
Vestida de sol.
Farrapos muito brancos no azul...
Sorrindo na singeleza de cada casa plantada nas encostas.
Crianças brincando nas ruas
sem calçamento
Mãos sujinhas de terra esbanjando alegria
No centro, ares de moderno
Sem alarde...
Gente de trato alegre
Mesmo que a luta pelo pão lhe dilacerasse as mãos...
O violão do Lucas na calçadinha do Pipoca.
O sorriso do Lucas...
"Dona Júlia, Deus gosta muito
de você
Você gosta muito de Deus".
- Não me exalte não sou uma grande pecadora.
- Disse cobrindo o rosto com as mãos.
Na pequenez de dona Júlia eu vi a grandeza de Deus Dos pobres é o Reino dos
Céus.
Povo de Deus em marcha!...
Sem rivalidade
A Banda de Cima,
A Banda de Baixo;
Alma das festas
Alegria do povo.
Torres de três igrejas
Convidando a decolar
Rumo ao infinito...
Contemplando Cachoeira
A minha saudade canta:
Cachoeira do Campo,
Você é como irmã mais velha
Da minha cidadezinha:
Marliéria.
Irmã Carminha
- 1992
Do Livro: Páginas Soltas
Cantigas de "bem - dizer" - Fragmentos do Cotidiano * A realização deste livro
contou com o apoio de nosso companheiro Rodrigo Gomes
Efigênia Gomes Pimenta*
Olho à minha volta, até onde
alcança minha visão.
Aí, está você, Cachoeira do Campo.
Suas montanhas não são muito altas,
Mas são belas de encontro ao céu, em seu tom
Azul anil nos dias ensolarados.
O sol! Ah! Ele faz brilhar seus campos.
E em alguns lugares, correm silenciosas águas
De pequenas nascentes, que depois se encontram
Com o rio que te atravessa.
Passando pela Ponte do Palácio, depois,
Suas águas vão se quebrando pelas pedras.
E seguem o curso adiante... sussurrantes.
E em alguns lugares sente-se ainda aquele quê
De romantismo, de nostalgia talvez.
Você, Cachoeira do Campo!
Também é um pedaço de Minas
E não lhe faltaria jamais,
As características aconchegantes e belas,
das Minas Gerais.
*Efigênia é moradora de Cachoeira do Campo e contribuiu com este poema.
Fidel Perine*
Cultuastes
o berço de grandes heróis
Antes mesmo de vê-los nascer
Com honra e glória hospedastes
Homens lustres de nossa história
Ora, como és grandiosa
És bela e vasta!
Invejada por muitas cidades
Rodeadas de luxo e beleza, mas
Ainda guardas em teu solo, riquezas.
Deleita-se
às margens do rio Maracujá
Ostentando um brilho ilustre
Comemoras,
entretanto
Ao som dos mais belos aplausos, como
Música, doce e suave,
Para a glória daqueles que te amam,
Os seus 300 anos de vitória.
* Ex-aluno da Escola Estadual Nossa Senhora Auxiliadora, poesia 1ª colocada no Concurso "Cachoeira 300 Anos"
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