Por Robson José Peixoto

A Banda Euterpe Cachoeirense foi fundada em 25 de outubro de 1856, no distrito de Cachoeira do Campo, em homenagem à padroeira Nossa Senhora de Nazaré. É considerada a banda civil mais antiga do estado de Minas Gerais em trabalhos ininterruptos, segundo a Secretaria de Cultura do estado de Minas Gerais.
Euterpe
significa a deusa da música e da poesia lírica. Trata-se de uma sociedade
civil, de direito privado, sem nenhuma finalidade econômica, política, religiosa
e de utilidade pública. É uma associação amadora, não recebendo seus componentes,
músicos, amadores e diretores, qualquer remuneração. Tem por objetivo o ensino
e divulgação da arte musical.
Declarada de utilidade pública pela lei nº 50/90, de 29 de novembro de 1990, da Prefeitura Municipal de Ouro Preto. É inscrita no Conselho Nacional de Serviço Social do MEC, sob o nº 60560/64.
Na época da Guerra do Paraguai,
de 1864 a 1870,
várias
pessoas de nossa região participaram dela e algumas destas pessoas retornaram
com formação militar e musical, trazendo também seus instrumentos musicais.
Estes elementos passaram a integrar a banda Euterpe, que à época tinha poucos
anos de funcionamento e era uma grande atração, passando a nossa Banda de
Música a rivalizar-se com as bandas militares, recebendo, então, popularmente,
o carinhoso nome de TROPA (que é a origem do apelido da banda). Nos
estatutos da banda de 1890 e 1911 constam várias expressões tipicamente militares,
como quartel, sinal de recolher, companhia, etc. o que vem reforçar este nome.

As bandas de Cachoeira do Campo sempre estiveram imersas na temática política. A Banda Euterpe Cachoeirense do século XIX, por exemplo, foi constituída com interesses mais partidários e políticos do que artísticos. Na época havia dois partidos políticos: o Conservador e o Liberal, que disputavam a hegemonia política do Império e se faziam conhecer noutros setores da vida social, através da imprensa e outros empreendimentos culturais na Província de Minas. O partido Conservador era o partido da situação. Tinha o apoio dos ex-combatentes da Guerra do Paraguai e desfrutava do apoio dos seguidores da Euterpe. Do outro lado havia o partido Liberal, de oposição, do qual não temos informações a respeito de sua constituição.

O fundador da Banda Euterpe Cachoeirense, o Capitão Rodrigo José de Figueiredo Murta, e seus parentes eram do partido Conservador. Aliás, a família Murta teve e tem uma participação marcante na história da corporação.
No princípio, a banda não contava com uma diretoria completa. A parte burocrática era composta por um diretor e um mestre-regente, eleitos secretamente pelos membros da corporação ou então indicados pelo antecessor. Não havia estatuto que regesse a banda. Até a instituição do primeiro estatuto, em 1941, várias pessoas passaram pela nossa corporação.

Diretoria atual:
Presidente: Jorge Brandão Murta
Vice-presidente: Antônio José Ferreira
1º Secretário: Robson José Peixoto
2º Secretário: Rosana Márcia Peixoto
1º Tesoureiro: Luciano da Costa Gomes
2º Tesoureiro: Maria Miranda da Silva
Diretor de patrimônio: Cristiano Miguel Tavares
Diretora de Divulgação: Joana Viana Tavares
1º Regente : Elison Luiz Tavares
2º Regente: Alessandro Luiz Maximiano Dias
3º Regente: Waldecy Luciano Ferreira

A Banda Euterpe Cachoeirense conta hoje com cerca de 40 (quarenta) músicos e tem sede à Rua Sete de Setembro, 337 - Cachoeira do Campo - Minas Gerais
Por Nylton Gomes Batista

Uma das características culturais de Cachoeira do Campo é a música manifestada por intermédio de duas bandas. Uma delas é a Sociedade Musical União Social, fundada em 1864, a partir de divergências políticas surgidas na Banda Euterpe Cachoeirense, que já atuava desde 1856.

A Euterpe teve como fundador o capitão
Rodrigo de Figueiredo Murta, chefe político ligado ao Partido Conservador,
mas os músicos que a compunham tanto havia do partido do fundador quanto do
Partido Liberal, sem que isso interferisse na música. Entretanto, quando houve
necessidade substituir o regente, demissionário por questões particulares,
apresentaram-se dois candidatos, um de cada partido. Como o diretor era do
conservador, conta-se que houve manipulação para se eleger o candidato, Francisco
Carlos de Assis Ferreira,
conhecido como "Mestre Chico", da mesma linha política. Mas, a gota d' água
que motivou a divisão da então única banda talvez tenha sido o fato de a vitória
ter sido comemorada com uma serenata, da qual só participaram músicos ligados
ao Partido Conservador. O candidato derrotado, João Gonçalves de Magalhães,
reuniu em torno de si os músicos seus correligionários e formou a Sociedade
Musical União Social. A nova banda reuniu simpatia em torno de si e se consolidou
ao longo dos anos.
Em
1888, foi admitido em suas fileiras o músico que a lideraria por 69 anos e
a marcaria com sua influência em todos os sentidos. Randolfo José de Lemos,
nascido em 1873, ingressou na banda em 1888, aos 15 anos, tornando-se sub-regente
em 1891, aos 18 anos. Aos 20 anos, assumiu a regência da banda e só a deixou
quando a idade avançada e a saúde precária o impediram de estar à sua frente.
Mesmo assim, sua opinião abalizada sobre música e senso de respeito para com
os músicos e em relação a outras bandas fizeram dele exemplo para os que ingressavam
nas fileiras da União Social. Nem mesmo a cegueira que o acompanhou pela maior
parte da vida, até expirar em 1962, o impediu no cumprimento do dever assumido
junto à banda.

Conhecida popularmente como "Banda Baixo", por ter sua sede na parte baixa da localidade, ao contrário de sua oponente, na parte alta, a S.M. União Social mantém-se através das gerações com o mesmo espírito de liberdade, preconizado por seus fundadores, sob clima de companheirismo na dedicação à causa da banda. Há alguns anos, a banda era campo exclusivo de homens. Hoje, meninos e meninas, rapazes e moças integram suas fileiras ao lado dos veteranos, alguns na faixa de sessenta, setenta, oitenta anos, que ingressaram com a mesma idade dos que agora se iniciam.
Sociedade
Musical Santa Cecília
de Rodrigo Silva
Fundada em 22 de novembro de 1901 A SMSC (Sociedade Musical Santa Cecília) de Rodrigo Silva, foi fundada por um grupo de ferroviários, dentre os quais se destacaram os senhores: Paulino Teixeira Rosa, Eurico da Silva, Cezário da Cruz, José da Cruz e Joaquim José de Freitas, sendo este último o primeiro regente da banda.
Durante muitos anos, a banda ocupou um pequeno salão que lhe foi cedido pelo Sr. José Campos, até que, em 1949, após uma grande mobilização de toda comunidade, capitaneada pelo então presidente - Sr. José Pereira da Silva e também pelo seu regente - Sr. Ilídio Marques dos Reis, inaugurou-se a sua sede própria onde funciona até os dias de hoje. Também na gestão do Sr. José Pereira da Silva, a SMSC, teve sua situação jurídica regularizada, registrando o seu estatuto em cartório no ano de 1944.
No ano de 2001, a banda completou o seu centenário e nesses anos de existência tem passado por períodos bons e ruins, mas nunca deixou de funcionar, graças ao trabalho de muitos abnegados músicos e administradores. Atualmente a sociedade tem como presidente o músico João Bosco Pedrosa e como regente o músico Edvaldo Ferreira e conta com a participação de 41 músicos e de 10 aprendizes.
Sociedade
Musical Santa Cecília de Rodrigo Silva
Praça da Igreja, 07 Cep.: 35.402 - 000
Tel.: (0xx31) 3553 - 6118 CNPJ 21.103.742/0001-12
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