Nas
portadas de igrejas, nos altares, nas fontes, nas imagens, nos brasões, em
quase todas as formas de ornamentação do período colonial ela esteve presente.
Com tonalidades variando de verde-escuro a nuances mais claros a pedra-sabão
é ainda o material preferido pelos artesãos e escultores da Região dos Inconfidentes.
Pedra consideravelmente 'mole' (o que deu origem ao seu nome), é ideal para
escultura e para a liberdade criativa. A obra mais antiga em pedra-sabão conservada
em Cachoeira do Campo parece ser o medalhão que encima a portada principal
do Colégio Dom Bosco, antigo Quartel da Cavalaria das Minas. À época da inauguração
do prédio do quartel D. Antônio de Noronha mandou confeccionar o grande medalhão
com as armas e a coroa de Portugal. Diz-se que esta é uma obra do mestre maior
da pedra-sabão no Brasil, Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho.
Hoje a pedra-sabão é explorada em
quantidade considerável na região de Santa Rita de Ouro Preto, lugar onde
se concentra grande número de artesãos. De lá ela é exportada para vários
lugares. Parte da produção é trazida à Cachoeira onde numerosos
artesãos dão vida à pedra bruta. Muitos destes artesãos, sem o apoio do poder
público, se amontoam em barraquinhas à beira da rodovia para mostrar sua arte
e, mais desesperadamente, ganhar o pão de cada dia. Pode-se encontrar em Cachoeira
formas de beneficiamento industrial da pedra-sabão na OPPS (Ouro Preto Pedra
Sabão) ao lado de formas de manuseio e entalhe completamente manuais. Os artesãos
de Cachoeira do Campo são tidos entre os mais criativos do gênero. Suas obras
já foram apreciadas em vários lugares do mundo. O mesmo mundo que já vem admirando
nossas riquezas artesanais, imortalizadas nesta pedra, desde o século XVIII.

Um novo aroma paira sobre o ar de Cachoeira do Campo. Logo de manhãzinha o cheiro das flores de jabuticaba invadem nossas casas anunciando o fruto delicioso que temos já como patrimônio e que nos dá a fama de "terra das jabuticabas". São inúmeros pés espalhados pelas casas dos cachoeirenses. Quase toda residência tem pelo menos um pé da saborosa fruta.

E jabuticaba em Cachoeira do Campo é cultura, é arte e é história. Dizem que até Juscelino Kubitschek vinha por aqui saborear as nossas jabuticabas. Nos porões dos casarões se guardam vinhos, licores e geléias que já são produtos típicos da frutinha negra. E, como somos um povo criativo, também aprendemos a fazer bolos, tortas, biscoitos, cocadas tudo a base de jabuticaba e um ingrediente especial: o carinho e o talento do povo cachoeirense. Esta edição vai acompanhada até de uma receita para adoçar sua vida:
BOLO DE JABUTICABA
Ingredientes:
2 copos (250ml) de jabuticaba (inteira e limpa);
1 copo (250ml) de óleo ;
1 copo de açúcar;
3 ovos;
2 xícaras (200ml) de farinha de trigo;
1 colher (de sopa) de fermento.
Modo
de preparar: 
Bata
no liqüidificador a jabuticaba, o óleo e os ovos. Tire do liqüidificador e
coloque em uma vasilha, misture a farinha de trigo e o fermento. Numa forma
untada coloque a massa e leve ao forno. O resultado final fica uma delícia,
como todos os derivados da jabuticaba, um produto típico de Cachoeira do Campo,
patrimônio cultural nosso!
Por
Rodrigo Gomes
Muita
gente pergunta se o desenho da Matriz de Nossa Senhora de Nazaré, que se apresenta
em muitos de nossos projetos e é logomarca da AMIC - Associação Cultural Amigos
de Cachoeira do Campo - é realmente do famoso artista plástico mineiro, Carlos
Bracher. Sim, é mesmo uma obra de Carlos Bracher. Quando fomos apresentar
ao artista o projeto de resgate da história e da cultura de Cachoeira do Campo,
salientamos a importância de vincularmos a sua arte também à história de Cachoeira
(principalmente por ser ele um pouco cachoeirense, possuindo uma casa na Rua
Nossa Senhora das Dores).
Bracher,
com talento e brilhantismo, pensou em algo simples, mas que simbolizasse Cachoeira
do Campo. Daí o retrato estilizado de nosso maior símbolo, a Matriz de Nazaré,
um trabalho em serigrafia com traços e cores que se assemelham com o monumento
original e que se completa com a sensibilidade do artista e se consagra com
sua assinatura.
É
também mérito do artista o apoio para importantes contatos, como com a direção
da Rede Globo Minas, que tem rendido importantes matérias jornalísticas e
turísticas. Um certo dia, sob as belas pinturas do teto da Igreja de Nossa
Senhora das Dores, Carlos Bracher nos disse: "Vocês são salvaguardadores de
toda esta cultura e arte cachoeirense, lutem sempre, coloquem-as aos olhos
de Minas e do Brasil e sempre façam tudo para preservá-la". Mais que um grande
artista, Bracher é um homem com sensibilidade para as causas comuns de Ouro
Preto, de uma forma ampla, que ultrapassa os limites da sede do município.
A logomarca que criou para a AMIC revela os traços deste grande artista contemporâneo.
Por Rodrigo Gomes
Milton Passos retrata a velha Cachoeira do Campo

O famoso artista plástico ouro-pretano, Milton Passos, conhecido como o mestre colorista da paisagem de Ouro Preto, não hesitou ao ser convidado a pintar uma tela retratando a velha Cachoeira do Campo.
Nesta
tela ele retrata a Cachoeira do Campo do final do séc. XIX, com a atual Praça
Felipe dos Santos ainda com seu glamour de cidade colonial mineira. Ao grande
artista fica o agradecimento por tão importante obra que faz parte desta releitura
da trajetória histórica de Cachoeira do Campo e um agradecimento especial
à Sra. Cecília Versiane que muito ajudou no contato com o artista.
Passada
a euforia carnavalesca nossa região se prepara para reviver a paixão, morte
e ressurreição de Cristo nos rituais da Semana Santa, que já começam logo
depois do carnaval, com o Setenário das Dores. O que significa isto?
Nesta Região dos Inconfidentes nasceu uma das principais celebrações quaresmais - o 'Septenário' das Dores - uma das mais belas tradições de Minas Gerais, celebrado nas sete sextas-feiras que antecedem a Semana Santa. A meditação do "Stabat Mater" (estava a Mãe Dolorosa, junto a cruz, lacrimosa) convida todos ao recolhimento e a meditação sobre o exemplo e os sofrimentos da mais sublime das mulheres; nesta cerimônia há grande presença da música setecentista, o latim, o incenso, os motetos e muita fé.

As sete dores de Maria, representadas nos sete punhais, são: 1ª Quando Maria ouviu do velho Simeão que uma espada de dor transpassaria sua alma, 2ª A agonia na fuga para o Egito, 3ª A amargura de Maria ao perder seu filho amado no Templo de Jerusalém, 4ª O encontro com seu amado filho com a pesada cruz nas costas, 5ª A agonia que teve Maria ao ver morrer seu Filho crucificado entre dois ladrões, 6ª A angústia que teve Maria quando despregaram da cruz o corpo de seu Filho e o colocaram em seus braços e a 7ª A soledade que teve Maria ficando sem seu filho, nem vivo, nem morto.
Infelizmente em Cachoeira do Campo este ritual religioso não existe mais. Havia muita dedicação e piedade da comunidade na celebração do mesmo, principalmente do coral e da orquestra que preparavam seus cânticos. Na paróquia de Nossa Senhora do Pilar em Ouro Preto o ritual é ainda mantido com fé e perseverança pelo zeloso Pe. Simões.
Por Rodrigo Gomes
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