A Pedra Sabão

Detalhe do Brasão em pedra-sabão na portaria do Colégio Dom Bosco - Foto: Rodrigo GomesNas portadas de igrejas, nos altares, nas fontes, nas imagens, nos brasões, em quase todas as formas de ornamentação do período colonial ela esteve presente. Com tonalidades variando de verde-escuro a nuances mais claros a pedra-sabão é ainda o material preferido pelos artesãos e escultores da Região dos Inconfidentes. Pedra consideravelmente 'mole' (o que deu origem ao seu nome), é ideal para escultura e para a liberdade criativa. A obra mais antiga em pedra-sabão conservada em Cachoeira do Campo parece ser o medalhão que encima a portada principal do Colégio Dom Bosco, antigo Quartel da Cavalaria das Minas. À época da inauguração do prédio do quartel D. Antônio de Noronha mandou confeccionar o grande medalhão com as armas e a coroa de Portugal. Diz-se que esta é uma obra do mestre maior da pedra-sabão no Brasil, Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho.

Esculturas em pedra-sabão na Lampejo - Foto: Rodrigo Gomes

Hoje a pedra-sabão é explorada em quantidade considerável na região de Santa Rita de Ouro Preto, lugar onde se concentra grande número de artesãos. De lá ela é exportada para vários lugares. Parte da produção é trazida à Cachoeira onde numerososO Pensador - Escultura em pedra-sabão de Mário Guimarães artesãos dão vida à pedra bruta. Muitos destes artesãos, sem o apoio do poder público, se amontoam em barraquinhas à beira da rodovia para mostrar sua arte e, mais desesperadamente, ganhar o pão de cada dia. Pode-se encontrar em Cachoeira formas de beneficiamento industrial da pedra-sabão na OPPS (Ouro Preto Pedra Sabão) ao lado de formas de manuseio e entalhe completamente manuais. Os artesãos de Cachoeira do Campo são tidos entre os mais criativos do gênero. Suas obras já foram apreciadas em vários lugares do mundo. O mesmo mundo que já vem admirando nossas riquezas artesanais, imortalizadas nesta pedra, desde o século XVIII.

Vida - Escultura em pedra-sabão por  Waltenir Novais - Foto: Rodrigo Gomes

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As delícias da jabuticaba

Um novo aroma paira sobre o ar de Cachoeira do Campo. Logo de manhãzinha o cheiro das flores de jabuticaba invadem nossas casas anunciando o fruto delicioso que temos já como patrimônio e que nos dá a fama de "terra das jabuticabas". São inúmeros pés espalhados pelas casas dos cachoeirenses. Quase toda residência tem pelo menos um pé da saborosa fruta.

Delícias feitas com jabuticaba - Foto: Rodrigo Gomes

E jabuticaba em Cachoeira do Campo é cultura, é arte e é história. Dizem que até Juscelino Kubitschek vinha por aqui saborear as nossas jabuticabas. Nos porões dos casarões se guardam vinhos, licores e geléias que já são produtos típicos da frutinha negra. E, como somos um povo criativo, também aprendemos a fazer bolos, tortas, biscoitos, cocadas tudo a base de jabuticaba e um ingrediente especial: o carinho e o talento do povo cachoeirense. Esta edição vai acompanhada até de uma receita para adoçar sua vida:

BOLO DE JABUTICABA

Ingredientes:
2 copos (250ml) de jabuticaba (inteira e limpa);
1 copo (250ml) de óleo ;
1 copo de açúcar;
3 ovos;
2 xícaras (200ml) de farinha de trigo;
1 colher (de sopa) de fermento.

Modo de preparar: Jabuticabeira - Foto: Rodrigo Gomes

Bata no liqüidificador a jabuticaba, o óleo e os ovos. Tire do liqüidificador e coloque em uma vasilha, misture a farinha de trigo e o fermento. Numa forma untada coloque a massa e leve ao forno. O resultado final fica uma delícia, como todos os derivados da jabuticaba, um produto típico de Cachoeira do Campo, patrimônio cultural nosso!

Por Rodrigo Gomes

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Matriz, segundo Bracher

Logomarca da AMIC desenhada por Carlos Bracher Muita gente pergunta se o desenho da Matriz de Nossa Senhora de Nazaré, que se apresenta em muitos de nossos projetos e é logomarca da AMIC - Associação Cultural Amigos de Cachoeira do Campo - é realmente do famoso artista plástico mineiro, Carlos Bracher. Sim, é mesmo uma obra de Carlos Bracher. Quando fomos apresentar ao artista o projeto de resgate da história e da cultura de Cachoeira do Campo, salientamos a importância de vincularmos a sua arte também à história de Cachoeira (principalmente por ser ele um pouco cachoeirense, possuindo uma casa na Rua Nossa Senhora das Dores).

Auto-retrato - Tela de Carlos Bracher (1989) Bracher, com talento e brilhantismo, pensou em algo simples, mas que simbolizasse Cachoeira do Campo. Daí o retrato estilizado de nosso maior símbolo, a Matriz de Nazaré, um trabalho em serigrafia com traços e cores que se assemelham com o monumento original e que se completa com a sensibilidade do artista e se consagra com sua assinatura.

É também mérito do artista o apoio para importantes contatos, como com a direção da Rede Globo Minas, que tem rendido importantes matérias jornalísticas e turísticas. Um certo dia, sob as belas pinturas do teto da Igreja de Nossa Senhora das Dores, Carlos Bracher nos disse: "Vocês são salvaguardadores de toda esta cultura e arte cachoeirense, lutem sempre, coloquem-as aos olhos de Minas e do Brasil e sempre façam tudo para preservá-la". Mais que um grande artista, Bracher é um homem com sensibilidade para as causas comuns de Ouro Preto, de uma forma ampla, que ultrapassa os limites da sede do município. A logomarca que criou para a AMIC revela os traços deste grande artista contemporâneo.

Por Rodrigo Gomes

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Milton Passos retrata a velha Cachoeira do Campo

Praça em 1907 - Óleo sobre tela de Milton Passos

O famoso artista plástico ouro-pretano, Milton Passos, conhecido como o mestre colorista da paisagem de Ouro Preto, não hesitou ao ser convidado a pintar uma tela retratando a velha Cachoeira do Campo.

Milton Passos pintando tela - Foto: Fabiano FigueiredoNesta tela ele retrata a Cachoeira do Campo do final do séc. XIX, com a atual Praça Felipe dos Santos ainda com seu glamour de cidade colonial mineira. Ao grande artista fica o agradecimento por tão importante obra que faz parte desta releitura da trajetória histórica de Cachoeira do Campo e um agradecimento especial à Sra. Cecília Versiane que muito ajudou no contato com o artista.

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Setenário das Dores

Nossa Senhora das DoresPassada a euforia carnavalesca nossa região se prepara para reviver a paixão, morte e ressurreição de Cristo nos rituais da Semana Santa, que já começam logo depois do carnaval, com o Setenário das Dores. O que significa isto?

Nesta Região dos Inconfidentes nasceu uma das principais celebrações quaresmais - o 'Septenário' das Dores - uma das mais belas tradições de Minas Gerais, celebrado nas sete sextas-feiras que antecedem a Semana Santa. A meditação do "Stabat Mater" (estava a Mãe Dolorosa, junto a cruz, lacrimosa) convida todos ao recolhimento e a meditação sobre o exemplo e os sofrimentos da mais sublime das mulheres; nesta cerimônia há grande presença da música setecentista, o latim, o incenso, os motetos e muita fé.

Coração e sete espadas - Atributo de NS das Dores - Foto: Rodrigo Gomes

As sete dores de Maria, representadas nos sete punhais, são: 1ª Quando Maria ouviu do velho Simeão que uma espada de dor transpassaria sua alma, 2ª A agonia na fuga para o Egito, 3ª A amargura de Maria ao perder seu filho amado no Templo de Jerusalém, 4ª O encontro com seu amado filho com a pesada cruz nas costas, 5ª A agonia que teve Maria ao ver morrer seu Filho crucificado entre dois ladrões, 6ª A angústia que teve Maria quando despregaram da cruz o corpo de seu Filho e o colocaram em seus braços e a 7ª A soledade que teve Maria ficando sem seu filho, nem vivo, nem morto.

Infelizmente em Cachoeira do Campo este ritual religioso não existe mais. Havia muita dedicação e piedade da comunidade na celebração do mesmo, principalmente do coral e da orquestra que preparavam seus cânticos. Na paróquia de Nossa Senhora do Pilar em Ouro Preto o ritual é ainda mantido com fé e perseverança pelo zeloso Pe. Simões.

Por Rodrigo Gomes

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